Como a hipertensão afeta o rim

A nefropatia hipertensiva é uma condição renal crônica que ocorre como resultado da pressão arterial elevada (hipertensão arterial) crônica e não controlada. A hipertensão arterial é uma das principais causas de doença renal crônica em todo o mundo, e a nefropatia hipertensiva é uma das complicações mais comuns e graves dessa condição.

Neste artigo, exploraremos os diferentes aspectos da nefropatia hipertensiva, incluindo sua fisiopatologia, fatores de risco, sintomas, diagnóstico, complicações e opções de tratamento.

O médico especialista em hipertensão e nefropatia hipertensiva é o nefrologista. O Dr Gerard Fajula Sales é nefrologista e médico de pressão alta. Agende sua consulta agora.

Como hipertensão afeta o rim?

A nefropatia hipertensiva é resultado de uma pressão arterial cronicamente elevada. Essa pressão aumentada exerce uma carga excessiva nos pequenos vasos sanguíneos dos rins (chamados de arteríolas). A pressão arterial elevada danifica esses vasos, levando a alterações na estrutura e na função dos glomérulos, que são as unidades de filtração nos rins.

A pressão arterial elevada causa estreitamento (constrição) das arteríolas renais, resultando em diminuição do fluxo sanguíneo renal. Isso leva à ativação de uma série de marcadores hormonais e enzimáticos que regulam a pressão arterial.

A ativação desses marcadores leva à vasoconstrição adicional das arteríolas renais, retenção de sal e água e aumento da produção de substâncias que causa inflamação e fibrose nos rins, como a angiotensina II. Essas alterações contribuem para a progressão da nefropatia hipertensiva.

Quem pode ter nefropatia hipertensiva?

A principal causa da nefropatia hipertensiva é a pressão arterial elevada e cronicamente descontrolada. No entanto, existem outros fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de desenvolver essa condição. Esses fatores incluem:

  1. Histórico familiar de nefropatia hipertensiva: Pessoas com parentes próximos que têm nefropatia hipertensiva têm maior risco de desenvolver a condição.
  2. Diabetes: A presença de diabetes mellitus, especialmente quando não está bem controlado, pode aumentar o risco de nefropatia hipertensiva em pacientes hipertensos.
  3. Obesidade: O excesso de peso e a obesidade estão associados a um maior risco de desenvolver hipertensão arterial e, consequentemente, nefropatia hipertensiva.
  4. Tabagismo: Fumar pode aumentar a pressão arterial e danificar os vasos sanguíneos, aumentando o risco de desenvolver nefropatia hipertensiva.

Sintomas de Hipertensão

A nefropatia hipertensiva geralmente não causa sintomas específicos em seus estágios iniciais. No entanto, à medida que a doença progride, podem ocorrer os seguintes sinais e sintomas:

  1. Hipertensão arterial persistente: A hipertensão arterial é o sintoma mais comum e importante da nefropatia hipertensiva. A pressão arterial cronicamente elevada é um fator de risco e uma das principais causas da doença renal crônica.
  2. Proteinúria: A nefropatia hipertensiva pode causar lesões nos glomérulos, levando à presença de proteína na urina (proteinúria). A detecção de proteinúria em exames de urina é um sinal de disfunção renal.
  3. Edema: À medida que a função renal se deteriora, pode ocorrer acúmulo de fluidos no organismo, levando ao inchaço, especialmente nas pernas, tornozelos e pés.
  4. Alterações urinárias: A nefropatia hipertensiva pode levar a mudanças no padrão de micção, como aumento ou diminuição da frequência urinária, bem como urina espumosa devido à presença de proteína.

Como diagnosticar nefropatia hipertensiva

O diagnóstico da nefropatia hipertensiva baseia-se na avaliação clínica, exames de laboratório e exames de imagem. Os seguintes testes podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da condição:

  1. Exame de urina: A presença de proteinúria persistente é um achado importante na nefropatia hipertensiva. A análise da urina pode mostrar a quantidade de proteína presente e ajudar a avaliar a função renal.
  2. Exames de sangues: Os níveis de creatinina no sangue são medidos para avaliar a função renal. Além disso, outros testes, como ureia, eletrólitos e perfil lipídico, podem ser solicitados para avaliar a saúde geral dos rins e do sistema cardiovascular.
  3. Monitoramento da pressão arterial: A medição regular da pressão arterial é fundamental para o diagnóstico e monitoramento da nefropatia hipertensiva. A pressão arterial deve ser medida em diferentes ocasiões e em diferentes posições para determinar se a hipertensão é persistente e estabelecer metas de tratamento.
  4. Exames de imagem: A ultrassonografia renal é frequentemente o primeiro exame de imagem realizado para avaliar a estrutura e função dos rins. Outros exames, como a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM), podem ser solicitados para obter informações mais detalhadas sobre os rins e a circulação sanguínea renal.

Hipertensão de jaleco branco

No é infrequente os paciente apresentar níveis de hipertensão mais elevados no consultório do que na casa deles. Isso acontece pelo estresse e a ansiedade que muitas vezes uma consulta médica pode causar. Essa ansiedade leva a produção de uma série de hormônios que faz a pressão aumentar.

Para diferenciar essas alterações de uma pressão alta verdadeira é importante a medição domiciliar da pressão arterial. Essa medição pode ser feita pelo próprio paciente, anotando em um papel os níveis pressóricos avaliados em casa, em diferentes momentos do dia.

Um outro exame que pode ajudar é o MAPA (Medição Ambulatorial da Pressão Arterial). Nesse exame é colocado um aparelho de pressão no paciente que fará medições da pressão seriadas durante 24 horas. Após 1 dia de uso, o aparelho é devolvido e todas as medições registradas são avaliadas pelo médico.

Complicações de Pressão alta

A nefropatia hipertensiva é uma condição grave que pode levar a várias complicações se não for controlada adequadamente. Algumas das complicações mais comuns incluem:

  1. Doença renal crônica (DRC): A nefropatia hipertensiva é uma das principais causas de doença renal crônica, levando a uma diminuição progressiva da função renal ao longo do tempo.
  2. Insuficiência renal: À medida que a função renal se deteriora, a insuficiência renal pode se desenvolver, resultando em uma diminuição significativa da capacidade dos rins de filtrar resíduos e regular o equilíbrio de fluidos e eletrólitos no organismo.
  3. Aumento do risco cardiovascular: A nefropatia hipertensiva está associada a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.

Opções de Tratamento

O tratamento da nefropatia hipertensiva tem como objetivo controlar a pressão arterial e retardar a progressão da doença renal. As opções de tratamento podem incluir:

  1. Medidas de estilo de vida saudável: A adoção de um estilo de vida saudável é essencial para controlar a pressão arterial e reduzir o risco de complicações. Isso inclui seguir uma dieta balanceada com baixo teor de sódio, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e limitar o consumo de álcool.
  2. Medicamentos anti-hipertensivos: Diversos medicamentos anti-hipertensivos estão disponíveis para controlar a pressão arterial. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA) são frequentemente prescritos para pacientes com nefropatia hipertensiva, pois demonstraram benefícios renais.
  3. Controle glicêmico (se aplicável): Se a nefropatia hipertensiva estiver associada ao diabetes, é importante controlar rigorosamente os níveis de glicose no sangue para reduzir o risco de complicações renais.
  4. Tratamento da doença renal crônica subjacente: Se a nefropatia hipertensiva levar à doença renal crônica avançada, podem ser necessárias medidas adicionais, como terapia de substituição renal, como diálise ou transplante renal.

Conclusão

A nefropatia hipertensiva é uma complicação grave e comum da hipertensão arterial crônica e não controlada. O controle adequado da pressão arterial é fundamental para prevenir ou retardar a progressão da doença renal e reduzir o risco de complicações graves. Além disso, adotar um estilo de vida saudável, monitorar regularmente a função renal e seguir as orientações médicas são essenciais para o manejo eficaz da nefropatia hipertensiva. O tratamento deve ser individualizado e realizado em colaboração com profissionais de saúde, com o objetivo de controlar a pressão arterial e preservar a função renal.

Dr Gerard Fajula Sales

CRM 168698 -SP

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Cisto renal: Mitos e verdades

O cisto renal é uma condição bastante comum que afeta os rins. Trata-se de uma bolsa cheia de líquido que se forma nos rins e pode variar em tamanho, desde pequenos cistos microscópicos até grandes cistos visíveis em exames de imagem.

Esses cistos renais podem surgir em qualquer idade e são frequentemente descobertos incidentalmente em exames de imagem realizados por outras razões. Neste artigo, exploraremos os diferentes aspectos dos cistos renais, incluindo sua fisiopatologia, tipos, sintomas, diagnóstico, complicações e opções de tratamento.

O médico que trata os cistos renais é o nefrologista. O Dr Gerard Fajula é médico nefrologista e é especialista no tratamento de cistos renais.

Porque se forma o cisto renal?

Os cistos renais são formados a partir de alterações no desenvolvimento dos túbulos renais. Eles se desenvolvem quando os túbulos renais não se desdobram adequadamente durante o processo de formação dos rins. Essa falha no desenvolvimento leva ao acúmulo de líquido nos túbulos, resultando na formação de cistos.

Os cistos renais são revestidos por células epiteliais, que secretam líquido para dentro do cisto, fazendo com que ele cresça progressivamente ao longo do tempo.

Tipos de Cistos Renais

Existem dois tipos principais de cistos renais: cistos simples e cistos complexos.

  1. Cistos Simples: Esses cistos são geralmente benignos e não representam uma ameaça à função renal. Eles são preenchidos com líquido claro e têm paredes finas e regulares. Os cistos simples são comumente encontrados em exames de imagem realizados por outras razões e geralmente não causam sintomas. Na maioria dos casos, esses cistos não requerem tratamento e podem ser monitorados periodicamente por meio de exames de imagem.
  2. Cistos Complexos: Os cistos complexos são menos comuns e têm características que os distinguem dos cistos simples. Eles podem ter paredes espessas, septações (divisões internas) ou calcificações. Além disso, os cistos complexos podem conter elementos sólidos ou apresentar áreas de vascularização anormal. Essas características podem indicar a presença de um tumor renal maligno dentro do cisto. Portanto, quando são identificados cistos complexos, podem ser necessários exames adicionais, como a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM), para avaliar a natureza desses cistos e descartar a possibilidade de tumores renais.

Cisto renal dói?

Na maioria dos casos, os cistos renais são assintomáticos e são descobertos incidentalmente em exames de imagem realizados por outras razões. No entanto, em alguns casos, os cistos renais podem causar sintomas, complicações e afetar a função renal.

Os sintomas que podem estar associados aos cistos renais incluem:

  1. Dor nas costas ou no flanco: Cistos renais grandes ou localizados em áreas que exercem pressão sobre tecidos adjacentes podem causar dor nas costas ou no flanco. Essa dor pode ser intermitente ou persistente, variando em intensidade.
  2. Hematúria: Em alguns casos, os cistos renais podem causar sangramento na urina. A presença de sangue na urina pode ser visível (hematúria macroscópica) ou detectada apenas em exames laboratoriais (hematúria microscópica).
  3. Infecções do trato urinário: Os cistos renais podem aumentar o risco de infecções do trato urinário, uma vez que o líquido dentro dos cistos pode se tornar um ambiente propício para o crescimento bacteriano. Infecções recorrentes do trato urinário podem ser um sinal de cistos renais.
  4. Hipertensão arterial: Em alguns casos, os cistos renais podem levar ao desenvolvimento de hipertensão arterial. A pressão exercida pelos cistos nos tecidos renais pode interferir no equilíbrio dos hormônios reguladores da pressão arterial, resultando em hipertensão.

Em casos raros, os cistos renais podem levar a complicações, como sangramento no cisto, infecção (cistite) ou formação de cálculos renais. Além disso, cistos renais complexos podem ter maior probabilidade de serem associados a tumores renais malignos, embora a maioria dos cistos renais seja benigna.

Como saber se tenho cisto renal?

O diagnóstico de cistos renais é geralmente feito por meio de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM). A ultrassonografia é frequentemente o exame inicial utilizado para avaliar a presença de cistos renais devido à sua acessibilidade, segurança e custo relativamente baixo. A ultrassonografia pode fornecer informações sobre o tamanho, número e características gerais dos cistos renais.

A TC e a RM podem ser necessárias para caracterizar melhor os cistos complexos e distinguir entre cistos benignos e tumores renais. Esses exames fornecem informações detalhadas sobre a estrutura dos cistos, incluindo a presença de septações, espessura das paredes, presença de áreas sólidas ou vascularização anormal. Além disso, a TC e a RM podem ser úteis para avaliar a extensão dos cistos e sua relação com outras estruturas renais.

A partir dos exames de imagem, os cistos são classificados pela escala de Bosniak entre malignos, benignos ou duvidosos.

Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma biópsia renal para obter informações adicionais sobre a natureza dos cistos complexos, especialmente se houver suspeita de câncer. A biópsia renal é um procedimento no qual uma pequena amostra de tecido renal é coletada para análise laboratorial.

Tratamento dos cistos renais

A maioria dos cistos renais simples não requer tratamento específico, especialmente se forem assintomáticos e não causarem complicações significativas. Os cistos simples geralmente são acompanhados regularmente por exames de imagem para monitorar seu tamanho e progressão ao longo do tempo. No entanto, em alguns casos, pode ser necessário intervir para aliviar sintomas ou prevenir complicações.

As opções de tratamento para cistos renais incluem:

  1. Drenagem Percutânea: Nesse procedimento, o médico insere uma agulha no cisto sob orientação de imagem e drena o líquido acumulado. Isso pode aliviar os sintomas associados ao cisto, como dor ou desconforto abdominal, e reduzir o tamanho do cisto.
  2. Escleroterapia: Nessa abordagem, uma solução esclerosante é injetada no cisto para encolhê-lo. A escleroterapia é geralmente realizada por meio de uma agulha inserida no cisto com orientação de imagem. A solução esclerosante provoca uma irritação no revestimento interno do cisto, levando ao encolhimento progressivo.
  3. Cirurgia: Em casos raros em que os cistos renais são grandes, causam sintomas graves ou comprometem significativamente a função renal, a cirurgia pode ser necessária. A remoção do cisto ou, em alguns casos, a remoção parcial ou total do rim afetado pode ser realizada. A cirurgia pode ser realizada de forma minimamente invasiva, por meio de laparoscopia ou cirurgia robótica, ou por meio de uma abordagem cirúrgica tradicional (aberta).

Conclusão

Os cistos renais são uma condição comum que afeta os rins. A maioria dos cistos renais é benigna e não causa sintomas ou complicações significativas. No entanto, em alguns casos, os cistos podem se tornar problemáticos e requerer tratamento.

É importante diagnosticar corretamente os cistos renais por meio de exames de imagem e avaliar a necessidade de intervenção com base nos sintomas, tamanho e características dos cistos. O acompanhamento regular com exames de imagem é fundamental para monitorar a progressão dos cistos renais ao longo do tempo.

Em casos selecionados, a intervenção pode ser necessária para aliviar sintomas, prevenir complicações ou tratar cistos renais complexos. O tratamento individualizado deve ser discutido com o médico especialista, levando em consideração as características específicas de cada paciente.

Dr. Gerard Fajula Sales

CRM 168698-SP

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Tudo que precisa saber sobre nefropatia diabética

A doença renal do diabetes, também conhecida como nefropatia diabética, é uma complicação crônica e progressiva que afeta os rins de pacientes com diabetes. É uma das principais causas de doença renal crônica em todo o mundo, representando um desafio significativo para pacientes diabéticos e profissionais de saúde.

O médico que realiza o tratamento da doença renal do diabetes é o nefrologista. O Dr Gerard Fajula Sales é médico nefrologista e é especialista no tratamento da nefropatia diabética.

Como o Diabetes afeta os rins?

O diabetes é uma doença metabólica do organismo que leva a dificuldade de controlas os níveis de açúcar no sangue. Esse açúcar circulando no sangue leva a lesão de diferentes órgãos, sendo os mais importantes os vasos sanguíneos, os nervos periféricos, coração, retina e os rins.

A doença renal do diabetes é caracterizada por lesões progressivas nos glomérulos, as estruturas responsáveis pela filtração do sangue nos rins. Os níveis de açúcar aumentados (hiperglicemia) danificam as células endoteliais e mesangiais dos glomérulos, levando a uma alteração na função desta estrutura. Isso leva a uma filtração sanguínea errada nos rins.

Com o passar do tempo, essa disfunção glomerular resulta em proteinúria (presença de proteína na urina) e redução da taxa de filtração glomerular (TFG), que é uma medida da função renal.

Todos os pacientes diabéticos tem doença renal?

Existem vários fatores de risco para o desenvolvimento da nefropatia diabética. O controle inadequado da glicemia ao longo do tempo é um dos principais fatores de risco. Pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 têm maior probabilidade de desenvolver doença renal se tiverem níveis persistentemente elevados de glicose no sangue.

Além disso, a pressão arterial elevada (hipertensão) exerce uma carga adicional nos rins e aumenta o risco de desenvolver nefropatia diabética.

Outros fatores de risco incluem:

  • História familiar de doença renal
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Dislipidemia (níveis anormais de lipídios no sangue).

Diagnóstico de nefropatia diabética

O diagnóstico precoce da doença renal do diabetes é fundamental para retardar sua progressão e prevenir complicações graves. Os testes de triagem recomendados para a detecção da doença renal em pacientes diabéticos incluem a medição da albumina urinária (proteína na urina) e a estimativa da taxa de filtração glomerular.

A albumina é uma proteína que, quando presente em quantidades elevadas na urina (microalbuminúria), indica o início precoce da doença renal. A TFG (taxa de filtração glomerular) pode ser estimada usando fórmulas que levam em consideração a idade, sexo, raça e níveis de creatinina sérica.

Existem outras doenças que podem apresentar as mesmas alterações. Sendo assim é importante avaliar o nível de controle da doença por parte do paciente e se essa mostra lesão em outros órgãos alvos.

Assim, se um paciente já apresentar doença na retina e doença neurológica, é mais provável que a doença renal esteja relacionada também com o diabetes.

Por outro lado, em pacientes diabéticos mas que apresentam bom controle da doença e sem outras alterações associadas, se manifestarem doença renal precisamos pensar em outras causas além da nefropatia diabética. As vezes, em casos de duvida diagnóstica, é necessária a realização de biópsia renal para conseguir definir o diagnóstico.

Nefropatia diabética é grave?

A prevenção da doença renal do diabetes envolve o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial. Manter os níveis de glicose no sangue dentro da faixa alvo recomendada pelo médico, geralmente por meio de uma combinação de dieta, exercícios e medicamentos antidiabéticos, é crucial para reduzir o risco de complicações renais.

Além disso, controlar a pressão arterial por meio de medicamentos anti-hipertensivos, dieta com restrição de sal e estilo de vida saudável desempenha um papel fundamental na prevenção da doença renal. A doença renal do diabetes é a principal causa de doença renal crônica.

Nefropatia diabética tem tratamento

Uma vez diagnosticada, a doença renal do diabetes é tratada com uma abordagem multifatorial. O controle estrito da glicemia continua sendo um dos principais objetivos do tratamento, visando a manutenção dos níveis de hemoglobina glicada (A1C) abaixo do limite recomendado.

Além disso, o controle da pressão arterial é fundamental para retardar a progressão da doença renal. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRA) são frequentemente prescritos, pois demonstraram benefícios renais em pacientes com doença renal do diabetes.

Recentemente tem sido visto o beneficio dos inibidores iSGLT2, uma nova classe de fármacos que aumentaram a sobrevida do paciente e retardaram o inicio da diálise em paciente com doença renal crônica.

Em casos avançados, quando a função renal está significativamente comprometida, pode ser necessária terapia de substituição renal, como diálise ou transplante renal. Essas opções de tratamento substituem a função dos rins, permitindo que os pacientes continuem vivendo com uma boa qualidade de vida.

Conclusão

A doença renal do diabetes representa uma complicação crônica grave para pacientes diabéticos. A compreensão dos fatores de risco, diagnóstico precoce e intervenção terapêutica adequada são essenciais para retardar a progressão da doença e prevenir complicações graves.

Pacientes com diabetes devem se envolver ativamente no controle de sua glicemia e pressão arterial, além de manter um estilo de vida saudável. Além disso, é fundamental um acompanhamento médico regular para monitorar a função renal e ajustar o tratamento, se necessário.

Com uma abordagem abrangente e colaborativa, é possível reduzir a incidência e o impacto da doença renal do diabetes na vida dos pacientes.

Dr Gerard Fajula Sales

CRM 168698-SP

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Nefrite Lúpica: Entenda a doença

A nefrite lúpica é uma complicação renal grave e comum do lúpus eritematoso sistêmico (LES). O Lúpus é uma doença autoimune, rara e crônica, que pode levar, entre outros, a uma perda da função do rim. Ela ocorre quando o sistema imunológico ataca erroneamente os tecidos do próprio organismo, entre eles os rins, levando a sua inflamação.

O tratamento da nefrite lúpica é feito pelo médico especialista, neste caso o nefrologista. O Dr Gerard Fajula Sales é médico especialista, formado em Nefrologia pela Universidade de São Paulo (USP). O Dr. Gerard Fajula é especialista em tratamento de nefrite lúpica.

Como o lúpus leva a lesão renal?

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune complexa que pode afetar vários órgãos e tecidos do corpo, incluindo rins, pele, articulações, pulmões e coração. No caso da nefrite lúpica, os rins são os principais alvos da inflamação autoimune.

Os mecanismos patológicos envolvidos na nefrite lúpica são complexos e ainda não estão completamente esclarecidos. No entanto, sabe-se que o LES é caracterizado por uma resposta imunológica anormal, na qual o sistema imunológico produz autoanticorpos que atacam os tecidos saudáveis do corpo.

No caso da nefrite lúpica, os autoanticorpos, como os anticorpos antinucleares (ANA) e os anticorpos anti-DNA de fita dupla (anti-dsDNA), são depositados nos glomérulos renais. Isso desencadeia uma resposta inflamatória, levando à ativação de células imunológicas e à liberação de substâncias inflamatórias.

A inflamação resultante danifica os glomérulos e as estruturas renais adjacentes, levando a uma série de alterações, como fibrose, formação de cicatrizes e disfunção renal progressiva, até o desenvolvimento de insuficiência renal cronica e, eventualmente, necessidade de diálise e transplante renal.

A nefrite lúpica pode ocorrer em qualquer fase do LES, mas geralmente é mais comum nos primeiros anos após o diagnóstico da doença. Estima-se que cerca de 50% dos pacientes com Lúpus desenvolvam nefrite lúpica em algum momento de suas vidas.

Quais são os sintomas de Nefrie Lúpica?

Os sintomas da nefrite lúpica podem variar de leves a graves, dependendo do grau de inflamação e dano renal. Alguns dos sintomas mais comuns incluem:

  • Proteinúria: Presença de proteínas na urina, muitas vezes em quantidades significativas.
  • Hematúria: Presença de sangue na urina, que pode ser visível a olho nu ou detectada por exames de urina.
  • Edema: Inchaço nas pernas, tornozelos e ao redor dos olhos devido à retenção de líquidos.
  • Hipertensão arterial: A pressão arterial elevada é comum na nefrite lúpica e pode ser difícil de controlar.
  • Diminuição da função renal: À medida que a doença progride, a função renal pode diminuir, resultando em uma taxa de filtração glomerular reduzida e aumento dos níveis de creatinina no sangue.
  • Fadiga: Muitos pacientes com nefrite lúpica experimentam fadiga crônica e falta de energia.

Como é feito o diagnóstico de Nefrite Lúpica?

O diagnóstico da nefrite lúpica envolve uma combinação de história clínica detalhada, exames de urina, exames de sangue e exames de imagem. Alguns dos testes e procedimentos comumente utilizados incluem:

  • Exames de urina: A presença de proteinúria e hematúria é um indicador importante da nefrite lúpica. A análise da relação entre a quantidade de proteína e creatinina na urina pode ajudar a avaliar a gravidade da doença.
  • Exames de sangue: Testes como anticorpos antinucleares (ANA), anticorpos anti-DNA de fita dupla (anti-dsDNA) e complemento sérico (C3 e C4) são realizados para identificar marcadores específicos associados ao LES e à nefrite lúpica.
  • Biópsia renal: A biópsia renal é muitas vezes necessária para confirmar o diagnóstico de nefrite lúpica e avaliar a extensão do dano renal. Durante o procedimento, uma pequena amostra de tecido renal é coletada e examinada microscopicamente.

Tipos de Nefrite Lúpica

A classificação da nefrite lúpica é feita baseada nos achados da biópsia renal. Dependendo do tipo, o tratamento será diferente. Por esse motivo, é importante fazer sempre a biopsia para definir a melhor conduta.

  • Nefrite lúpica tipo 1 e 2: Pode apresentar pequenas alterações na urina porem na biopsia mostra pouca inflamação. Tem um prognóstico melhor
  • Nefrite lúpica tipo 3 e 4: São as vezes chamadas de proliferativas e tem um prognostico piora. Na biopsia são vistas grandes quantidade de células inflamatórias. Evolui com mais frequência e de forma mais rápida para perda de função renal e diálise

Como tratar a nefrite lúpica?

O tratamento da nefrite lúpica visa controlar a inflamação, reduzir os danos renais e prevenir complicações. O plano de tratamento é individualizado e depende da gravidade da doença e das características do paciente. Alguns dos principais componentes do tratamento incluem:

  • Medicações imunossupressoras: Medicamentos como corticosteroides e imunossupressores (por exemplo, ciclofosfamida, micofenolato de mofetila) são frequentemente prescritos para suprimir a resposta inflamatória e reduzir o ataque autoimune aos rins.
  • Controle da pressão arterial: O controle adequado da pressão arterial é fundamental para retardar a progressão da doença renal. Medicamentos anti-hipertensivos, como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), são comumente utilizados.
  • Cuidados com a saúde renal: É essencial monitorar regularmente a função renal, a pressão arterial e a presença de proteinúria. Mudanças no estilo de vida, como uma dieta saudável com restrição de sal e acompanhamento médico regular, são fundamentais para o manejo da nefrite lúpica.

Pesquisa e Perspectivas Futuras

A pesquisa contínua está em andamento para melhorar o entendimento dos mecanismos patológicos da nefrite lúpica e desenvolver novas opções terapêuticas. Novos medicamentos imunossupressores e terapias direcionadas estão sendo investigados para reduzir os efeitos colaterais dos tratamentos atuais e melhorar os resultados clínicos.

Além disso, estudos estão focados no desenvolvimento de biomarcadores que possam ajudar

Dr. Gerard Fajula Sales

CRM 168698

Fontes

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O que são Glomerulonefrites?

As glomerulonefrites são um grupo de doenças renais que afetam os glomérulos, estruturas microscópicas responsáveis pela filtração do sangue nos rins. Essas condições podem ser causadas por uma variedade de fatores, incluindo doenças autoimunes, infecções, uso de medicamentos e condições genéticas.

O médico especialista no tratamento das glomerulonefrites é o nefrologista, médico especialista no tratamento de doenças renais. O Dr. Gerard Fajula Sales é médico nefrologista e é especialista no tratamento de glomerulonefrites.

O que é Glomérulo?

Antes de abordarmos as glomerulopatias, é importante entender o que são os glomérulos. Os glomérulos são pequenos aglomerados de vasos sanguíneos localizados nos rins. Eles desempenham um papel vital na filtração do sangue, removendo resíduos e substâncias indesejadas, enquanto retêm proteínas e células sanguíneas importantes.

Cada glomérulo é composto por uma rede complexa de capilares sanguíneos envolvidos por células especiais chamadas podócitos. Essas células ajudam a manter a barreira de filtração glomerular, permitindo que moléculas pequenas passem, enquanto impedem a passagem de moléculas maiores, como proteínas.

Causas e Tipos de Glomerulonefrites

As glomerulopatias podem ser causadas por uma série de fatores, e a compreensão dessas causas é fundamental para o diagnóstico e tratamento adequados. Algumas das principais causas incluem:

a) Glomerulopatias Primárias: Essas glomerulopatias ocorrem devido a um mal funcionamento do glomérulo e podem ser de natureza autoimune, como a glomerulonefrite por lesões mínimas, glomeruloesclerose segmentar e focal e glomerulonefrite membranosa.

b) Glomerulopatias Secundárias: Essas condições surgem como resultado de outras doenças, como diabetes, doenças reumatológicas, hipertensão arterial, infecções (como a glomerulonefrite pós-estreptocócica) e uso de alguns medicamentos.

c) Glomerulopatias Hereditárias: Essas glomerulopatias são causadas por mutações genéticas transmitidas de forma hereditária. Exemplos incluem a doença de Alport, a doença do colágeno tipo IV e a nefropatia por IgA familiar.

Quais são os sintomas das glomerulonefrites?

Os sintomas das glomerulopatias podem variar dependendo do tipo de doença e da gravidade do acometimento renal. Alguns dos sintomas comuns incluem:

  • Proteinúria: Presença de proteínas na urina, indicando uma disfunção na barreira de filtração glomerular.
  • Hematúria: Presença de sangue na urina, muitas vezes visível a olho nu.
  • Edema: Acúmulo de fluido, resultando em inchaço nas extremidades, especialmente nas pernas e tornozelos.
  • Hipertensão arterial: Pressão arterial elevada, muitas vezes difícil de controlar com medicamentos.
  • Diminuição da função renal: Em casos mais graves, pode ocorrer insuficiência renal progressiva.

Como é feito o diagnóstico de glomerulonefrites?

O diagnóstico das glomerulopatias envolve uma avaliação abrangente, incluindo história clínica, exame físico, exames laboratoriais e testes de imagem.

Inicialmente percebemos algumas alterações clinicas como urina com sangue ou urna espumosa, diminuição na quantidade de urina, inchaço nas pernas ou no rosto, falta de ar por acumulo de liquido no pulmão, aparecimento de pressão alta ou piora de hipertensão já existente.

Os exames de urina são essenciais para detectar a presença de proteínas e/ou sangue. Além disso, a análise da composição das proteínas na urina, como a relação proteína/creatinina, pode ajudar a diferenciar diferentes tipos de glomerulopatias.

Exames de sangue, como a creatinina e a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), são utilizados para avaliar a função renal. A presença de outros marcadores inflamatórios ou autoimunes, como anticorpos antinucleares (ANA) ou anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA), pode sugerir uma doença autoimune subjacente.

Por ultimo, a biópsia renal é um procedimento invasivo que pode ser necessário para confirmar o diagnóstico e identificar a causa específica da glomerulonefrite. Durante a biópsia, uma pequena amostra de tecido renal é coletada e examinada microscopicamente para identificar alterações características.

Qual é o tratamento das glomerulonefrites?

O tratamento das glomerulonefrites depende do tipo de doença, a gravidade dos sintomas e a progressão da doença renal. O objetivo do tratamento é retardar a progressão da doença, controlar os sintomas e prevenir complicações, como a insuficiência renal.

O tratamento pode incluir:

  • Uso de medicamentos imunossupressores, como corticosteroides e agentes citotóxicos, para controlar a atividade autoimune e reduzir a inflamação.
  • Controle da pressão arterial elevada com medicamentos anti-hipertensivos.
  • Restrição dietética de sódio e proteína, especialmente em casos de doença renal avançada.
  • Tratamento das complicações, como a administração de medicamentos para controlar a proteinúria excessiva.

Em alguns casos, quando a função renal está severamente comprometida, pode ser necessário o tratamento de substituição renal, como a diálise ou o transplante renal.

Conclusão

As glomerulonefrites são um grupo complexo de doenças renais que afetam os glomérulos, estruturas cruciais para a filtração do sangue nos rins. Essas doenças podem ter várias causas e manifestações clínicas diferentes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para retardar a progressão da doença e prevenir complicações graves, como a insuficiência renal. A pesquisa contínua sobre as glomerulonefrites está ajudando a melhorar nossa compreensão dessas condições e desenvolver novas abordagens terapêuticas

Dr Gerard Fajula Sales

CRM 168698-SP

Fonte:

  • https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/207

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Entenda a Doença Renal Policística

A doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) é uma condição genética rara que afeta os rins. Ela é caracterizada pelo desenvolvimento de múltiplos cistos nos tecidos renais. Essa doença pode resultar em uma série de complicações graves e, em alguns casos, levar à insuficiência renal crônica.

Neste artigo, exploraremos em detalhes a Doença renal Policística, incluindo suas causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento.

O médico especialista no diagnóstico e tratamento de Doença renal policística é o nefrologista. O Dr. Gerard Fajula Sales é médico especialista em nefrologia e trata a Doença Renal Policística.

Porque acontece a Doença Renal Policística?

A Doença renal Policística é uma doença de origem genética. Ela é transmitida de forma autossômica dominante. Isso significa que basta um dos pais transmitir o gene defeituoso para que a criança desenvolva a doença.

É uma doença que não costuma a pular gerações, ou seja, para alguém ter a doença é necessário que algum dos pais também a tenha.

O gene responsável pela DRPAD foi identificado como PKD1 ou PKD2, e mutações nesses genes levam ao desenvolvimento dos cistos renais característicos.

Os cistos da doença são formados nos túbulos renais, pequenos dutos que são responsáveis pela filtração do sangue e produção de urina. Com o tempo, esses cistos crescem em tamanho e número, comprometendo gradualmente a função renal normal.

Quais são os sintomas da doença renal policística?

A DRPAD é uma doença progressiva e os sintomas podem variar amplamente entre os indivíduos afetados. Alguns pacientes podem permanecer assintomáticos por muitos anos, enquanto outros podem apresentar sinais precoces de comprometimento renal.

Os sintomas mais comuns da Doença Renal Policística são:

  • Dor abdominal ou lombar
  • Aumento da pressão arterial
  • Sangue na urina
  • Infecções urinárias recorrentes
  • Alterações na frequência urinária.
  • Conforme a doença progride, podem surgir complicações como insuficiência renal, cistos hepáticos (no fígado) e distúrbios cardíacos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Doença Renal Policística geralmente envolve uma combinação de história clínica detalhada, exames de imagem e testes genéticos.

A ultrassonografia é a técnica de imagem mais comumente utilizada para visualizar os cistos renais. Além disso, a ressonância magnética (RM) pode ser realizada para avaliar a extensão da doença e verificar a presença de cistos em outros órgãos.

Os testes genéticos desempenham um papel fundamental na confirmação diagnóstica da DRPAD. Eles podem identificar as mutações nos genes PKD1 e PKD2, sendo particularmente úteis em casos de diagnóstico precoce ou quando há dúvidas quanto à natureza hereditária da doença.

A Doença Renal Policística tem tratamento?

Infelizmente, até o momento não há cura para a DRPAD. O tratamento tem o objetivo de controlar os sintomas, retardar a progressão da doença e prevenir complicações. O manejo clínico da Doença Renal Policística envolve uma abordagem multidisciplinar, com envolvimento de nefrologistas, geneticistas, cirurgiões e outros profissionais de saúde especializados.

O controle adequado da pressão arterial é essencial para preservar a função renal e prevenir danos adicionais. Medicamentos anti-hipertensivos, como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), são comumente prescritos.

O monitoramento regular da função renal e a detecção precoce de complicações são fundamentais para um manejo eficaz. Em casos avançados de DRPAD, pode ser necessário realizar diálise ou um transplante renal.

Doença renal policística é igual a insuficiência renal?

A doença renal policística traz uma perda progressiva da função dos rins. Isso com o tempo leva a insuficiência renal. Porém, dependendo do grau de agressividade da doença em cada indivíduo, alguns pacientes vão evoluir mais rápido do que outros.

A idade em que os pais do paciente entraram em diálise, se isso aconteceu, ajuda a entender a virulência da doença nessa família.

Outro método para avaliar o prognóstico da doença é baseado no tamanho dos rins. Quanto maiores eles se apresentarem, piora a evolução da doença. O tamanho é avaliado através de tomografia ou ressonância magnética. Após calculado o tamanho renal, usamos um gráfico para entender o prognóstico da doença nesse paciente.

Existirá alguma cura para Doença Renal Policística?

A pesquisa científica sobre a Doença Renal Policística tem avançado significativamente nos últimos anos. Estudos estão focados em compreender melhor os mecanismos moleculares da doença, identificar novos alvos terapêuticos e desenvolver tratamentos inovadores.

Terapias direcionadas, como a utilização de inibidores de crescimento dos cistos renais, estão sendo investigadas como uma abordagem promissora para retardar a progressão da doença. Além disso, a terapia genética também representam áreas de pesquisa emocionantes com potencial para a cura da Doença Renal Policística no futuro.

Conclusão

A doença renal policística é uma condição complexa e hereditária que afeta os rins e pode levar à insuficiência renal crônica. Embora não haja cura para a DRPAD atualmente, um diagnóstico precoce, acompanhamento médico regular e controle adequado dos sintomas podem ajudar a retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa contínua no campo da Doença Renal Policística oferece esperança para futuros avanços no diagnóstico, tratamento e eventual cura dessa condição desafiadora.

Dr. Gerard Fajula Sales

CRM 168698-SP

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Doença renal crônica

O que é doença renal crônica?

A doença renal crônica acontece quando o paciente apresenta um piora da função do rim. A avaliação da  função do rim a traves de exames de sangue como a Creatinina e exames de urina.

A Doença renal Crônica e assintomática até fases tardias da doença. Sendo assim, é importante realizar os exames preventivos no mínimo uma vez por ano, especialmente se tiver doenças que levam á dano renal com Hipertensão e Diabetes.

O médico que trata as doenças do rim como a doença renal crônica é o nefrologista. O Dr. Gerard Fajula Sales é nefrologista e especialista no tratamento de doença renal crônica. O Dr. Gerard Fajula é formado na USP e tem mais de 7 anos de experiência no tratamento da doença renal crônica. Agende já sua consulta para proteger os seus rins.

Porque acontece a doença renal crônica?

Definimos a Doença Renal Crônica (DRC) como qualquer alteração na anatomia ou na função dos rins persistente por mais de 3 meses.

As principais causas da Insuficiência renal são a Pressão Alta do sangue (Hipertensão Arterial) e o Diabetes. Ela acontece principalmente naqueles pacientes que sofrem estas doenças por muitos anos e com controle irregular.

Outras causas de doença renal crônica são infecções urinaria e cálculos renais de repetição, algumas doenças genéticas como Doença Renal Policística e algumas doenças autoimunes como o Lúpus.

Como é avaliada a função do rim?

A função do rim é avaliada usando diferentes marcadores em exames de sangue e urina. O principal marcador utilizado hoje em dia é a Creatinina.

A Creatinina é uma proteína que se circula no sangue e que é produzida de forma habitual pelo nosso metabolismo. Ela é uma substância que é produzida nos músculos a partir das proteínas e liberada no sangue.

Posteriormente ela é eliminada quase completamente a traves do rim, e é por esse motivo que a usamos para avaliar o seu funcionamento. Quanto maior os níveis de creatinina no sangue, menos eliminação renal desta substância e, por tanto, pior a função dos rins.

A pesar disso, a creatinina não é o marcador ideal. Existem vários fatores que podem influenciar na sua concentração sanguínea, sendo uma das mais importantes a quantidade de massa muscular. Quanto mais músculo uma pessoa tiver, maior será a sua produção de creatinina.

É por esse motivo que homens costumam a ter valores de creatinina levemente superiores ao das mulheres. Pelo mesmo motivo é esperado que ao longo da vida, os valores de creatinina em pessoas saudáveis vão diminuindo como consequência da perda de massa muscular própria da idade. Os valores normais oscilam entre 0,6-1,2.

Após a medida direta no sangue da concentração de creatinina, usamos algumas formulas matemáticas (Cockcroft Gault , MDRD, CKD-EPI), para estimar o funcionamento real dos rins do paciente. Usamos esse dado para classificar a doença renal do paciente em diferentes estágios, desde rim saudável, a doença renal cronica conservadora, até doença renal terminal com necessidade de diálise ou transplante.

A dosagem de creatinina faz parte do checkup de rotina e deve ser feita com frequência para avaliar os seus rins. Caso apresentar alteração nos seus exames ou queira fazer uma chek-up para avaliar se seus rins estão saudáveis, procure o seu Nefrologista.

Posso ter doença renal crônica com creatinina normal?

Sim! Existem outros parâmetros a serem avaliados e que, mesmo com uma creatinina norma, podem indicar alterações renais.

Aqueles paciente que apresentam alterações anatômicas dos rins são considerados paciente renais crônicos. Por exemplo, paciente com rim único congênito, aqueles que nasceram apenas cm um rim, são considerados paciente renais crônicos e precisam de acompanhamento mesmo com creatinina normal.

Um outro parâmetro importante é a presença de proteínas na urina. Quando isso é detetado indica que o rim do paciente esta trabalhando sob um excesso de pressão, fazendo com que perca proteínas na urina que deveriam estar ficando no sangue. Indico por tanto, um erro na função de filtração do sangue. Isso acontece por exemplo em paciente diabéticos, onde pode aparecer mais precocemente proteína na urina e somente depois de alguns meses ou anos apresentaram alteração da creatinina

Por esse motivo é importante também realizar um exame de imagem do rim e exames de urina para avaliar perda renal de proteínas. Esses exames fazem parte do check-up renal.

Como saber se minha doença renal é grave

Baseado nos níveis de creatinina e a quantidade de perda de proteína na urina, usamos umas escalas para classificar a doença renal em vários estágios.

Quando menor o denominado Clearence de Creatinina, mais avançada a doença renal. Nas fases mais iniciais de insuficiência renal, o paciente é assintomático. Por isso é importante realizar exames de rotina antes de evoluir para fases mais avançadas e mais difíceis de tratar.

Quais são os sintomas de doença renal?

A doença renal não acostuma apresentar alterações clínicas no inicio do quadro. Ela é diagnosticada pelo aumento de marcadores no sangue como Creatinina e Ureia, assim como por alterações na urina como presença de sangue ou proteínas.

Com o decorrer da doença, podem aparecer alguns sintomas derivados de anemia, alterações no corpo de potássio, sódio, cálcio e fosfato, acidez no sangue, pressão alta e inchaço no corpo.

Essas alterações se manifestam da seguinte forma:

  • Cansaço e fadiga
  • Mal estar
  • Alteração de sono
  • Perda de apetite
  • Piora ou aparecimento de pressão alta
  • Inchaço nas pernas e rosto
  • Falta de ar
  • Coceira
  • Espuma na urina
  • Diminuição da quantidade de urina

Tratamento da doença renal

O tratamento da doença renal crônica depende de dois pilares, sendo um mais importante que o outro ao longo da evolução da doença.

São a prevenção da evolução da doença e o tratamento dos sintomas derivados da piora da função renal. A prevenção é essencial no inicio do tratamento, quando a função renal ainda não está tão prejudicada, para evitar sua evolução para fases mais delicadas. O tratamento preventivo é feito da seguinte forma:

  • Tratar as causas. É essencial um bom controle do Diabetes, Hipertensão ou colesterol quando presentes
  • Parar de fumar
  • Evitar medicações tóxicas.
  • Tomar água adequadamente, dependendo de quanta urina estiver produzindo
  • Realizar acompanhamento com nefrologista e coleta de exames periodicamente

O que é hemodiálise e quando é necessária?

A diálise é um tratamento para a doença renal terminal. Ela é necessária em fases avançadas, normalmente com funcionamento renal inferior a 15%.

Realizamos a confecção de um acesso vascular, a traves do qual faremos circular o sangue do paciente a traves da maquina de diálise e retornaremos ele depurado. Na máquina, o sangue passa a traves de umas membranas por onde será depurado, retirando o excesso de toxinas (como ureia) e ajustando os níveis no sangue de potássio, sódio ou bicarbonato.

Em paciente que não produzem mais urina, também é retirado o excesso de liquido do corpo durante a diálise. Após realizada essa limpeza do sangue, ele é devolvido para o paciente

Esse tratamento deve ser feito varias vezes por semana. Normalmente o paciente faz 3 sessões por semana, em dias alternados. Cada sessão tem uma duração média de 4 horas, podendo eventualmente ser menor em alguns pacientes.

A diálise é um tratamento que ajuda a manter o paciente vivo mas não realiza todas as funções de um rim normal. por isso é necessário continuar tomando medicações para ajustar outras alterações como anemia ou pressão alta.

Como evitar a doença renal crônica 

Quanta água preciso tomar?

A quantidade de água que precisamos tomar vai depender de uma avaliação personalizada. precisamos considerar o grau de lesão renal, a quantidade de urina que o paciente produz, a presença de inchaço entre outros fatores.

Por regra geral, enquanto o rim esta pouco acometido precisa de receber uma quantidade de água habitual, em torno de 2 litros por dia. Não é necessário mais do que isso exceto se o paciente tiver grandes perdas de liquido. Normalmente podemos nos guiar pela sensação de sede.

Conforme a função do rim vai diminuindo, ele irá produzindo menos urina. Neste momento precisamos diminuir também a quantidade de água, do contrario o rim não conseguira eliminar o excesso de liquido e o paciente apresentara inchaço. Em situações extremas pode acontecer até acumulo de água no pulmão

Tóxicos a serem evitados

As medicações  mais comuns que podem levar a doença renal são os antiinflamatorios como ibuprofeno, cetorofeno, naproxeno ou nimesulida. Outras medicações como Dipirona e Paracetamol ao seguras.

Alguns antibióticos também podem prejudicar a função adequada do rim, sendo necessário as vezes ajustar as doses para evitar maiores danos.

Por ultimo, o contraste usado para realizar exames de tomografia e ressonância pode piorar a função renal, sendo necessário avaliar a real necessidade destes exames em pacientes com doença já presente.

Existem medicações para recuperar a função do rim?

Lesões renais cronicas não acostumam a melhorar. Existe formação de tecido de fibrose no rim, como uma cicatriz, que não recuperará a sua função.

Existem porém, algumas medicações que tem mostrado resultados muito promissores em manter a função renal e aumentar o tempo de vida tanto do rim como do paciente com doença renal.  Algumas já são conhecidas e amplamente usadas como losartana.

Mais recentemente tem aparecido outras medicações como os mesmos benefícios que mostraram um beneficio adicional, como empaglifozina ou dapaglifozina. Sendo assim, se tiver doença renal procure seu nefrologista para avaliar se você se beneficiaria destas medicações.

Qual dieta precisa seguir o paciente com doença renal?

A dieta para pacientes portadores de doença renal crônica (DRC) desempenha um papel crucial no manejo da condição e na preservação da função renal. A alimentação adequada visa reduzir a carga sobre os rins, controlar a pressão arterial, os níveis de eletrólitos (potássio, fósforo, sódio, cálcio, etc.) e minimizar a acumulação de resíduos no sangue.

Em geral, a restrição de proteínas é uma recomendação comum, uma vez que a metabolização de proteínas resulta na produção de resíduos nitrogenados, que os rins comprometidos têm dificuldade em eliminar. Essa restrição porém precisa ser reavaliada constantemente, pois uma restrição excessivamente restritiva pode levar a desnutrição.

O controle rigoroso do consumo de sódio é vital para gerenciar a pressão arterial e minimizar a retenção de líquidos, comumente associada à DRC.

O controle do fósforo também é crucial, pois níveis elevados podem levar a distúrbios ósseos e cardiovasculares. Alimentos ricos em potássio, como bananas e laranjas, geralmente precisam ser limitados, pois rins disfuncionais podem ter dificuldade em excretar esse mineral.

A ingestão de líquidos deve ser monitorada, ajustando-se conforme a necessidade de cada paciente para evitar sobrecarregar os rins e minimizar a retenção hídrica.

É imperativo que os pacientes busquem orientação nutricional personalizada, pois as necessidades dietéticas variam de acordo com o estágio da doença e as condições de saúde individuais. O acompanhamento regular por um nutricionista especializado em nefrologia é fundamental para garantir uma dieta balanceada que atenda às exigências nutricionais específicas e contribua para a estabilidade da Doença Renal Crônica.

Adotar uma dieta cuidadosamente planejada, aliada ao tratamento médico adequado, não apenas alivia os sintomas da DRC, mas também desempenha um papel crucial na desaceleração da progressão da doença, promovendo uma melhor qualidade de vida para os pacientes.

Suplementos de proteína podem piorar a função do rim?

De regra geral suplementos proteicos não levam a piora da função do rim. Porém, essa suplementação precisa ser feita de forma adequada, em doses corretas e sempre com acompanhamento de um médico.

Se o rim for saudável ele não vai sofrer. Já se  rim já tiver algum tipo de lesão, pode ficar sobrecarregada levando sim neste caso a uma piora da função renal.

O uso de creatina é seguro e não leva a piora da função. E necessário porem informar ao médico do seu uso pois ela pode levar a alterações nos resultados dos exames, sem necessariamente piorar da função do rim.

Quais beneficios legais tem os portadores de Doença Renal Crônica?

No Brasil, os de Doença Renal Crônica (DRC) tem diversos benefícios legais para garantir sua qualidade de vida e acesso ao tratamento adequado. A legislação brasileira estabelece direitos específicos para essa parcela da população, reconhecendo a importância de assegurar assistência integral aos pacientes renais.

Um dos benefícios significativos é a gratuidade no transporte público para os pacientes em tratamento dialítico, facilitando o deslocamento regular até os centros de hemodiálise. Além disso, o paciente renal crônico tem prioridade no recebimento de medicamentos necessários para o controle da doença, fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro ponto relevante é a concessão de aposentadoria por invalidez de forma mais facilitada para os portadores de DRC, reconhecendo a limitação imposta pela doença e garantindo uma fonte de sustento financeiro.

Dr Gerard Fajula Sales

CRM 168.698-SP

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